IMPERMANÊNCIA(S)
IMPERMANÊNCIA(S) Frottage , cadáveres e fragmentos do invisível Tudo o que é fixo, escorre. Tudo o que é inteiro, racha. Impermanência(s) é a cartografia de um mundo em desintegração — uma arqueologia tátil do tempo que escapa pelas frestas da memória. Aqui, o gesto é o vestígio. Os frottages , feitos com a urgência de quem sente a matéria morrer enquanto é tocada, registram texturas efêmeras: calçadas gastas, ferros oxidados, madeiras sagradas, folhas esquecidas. Cada impressão é uma prova de existência — mas também de ausência. Uma presença-fóssil. Uma lembrança em atrito. Mas essa exposição não se contenta em testemunhar . Ela incorpora o jogo e o delírio. Nas bordas das composições, o acaso se infiltra, abrindo espaço para o encontro entre vozes, formas e silêncios. Como no cadavre exquis surrealista, os fragmentos se juntam sem lógica aparente, compondo corpos desmembrados de sentido — e, justamen...