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Mostrando postagens de maio, 2025

"Quando o teto compareceu"

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  "Quando o teto compareceu" - relato-manifesto de um encerramento quase silêncio - Não foi um fim. Foi uma pausa no corte, um fio suspenso na lâmina que hesita. As paredes estavam lá. O teto também. O chão — cúmplice. Não como cenário, mas como corpo que assiste. Eu não destruí tudo. E essa escolha foi o gesto mais violento. Porque havia dentro de mim uma vontade de ruína total — mas ofereci um desvio. Um quase. Uma fresta. O celular registrou. Mas não tudo. O tudo não cabe em pixels. Nem o grito abafado da tesoura, nem o eco do que não cortei. Meus frottages resistiram. Alguns. Outros se dissolveram como promessa cumprida. Era o fim de um ciclo? Talvez. Ou talvez fosse o chão dizendo: “Continue”. E o teto sussurrando: “Agora para cima”.

Depois do fim

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 Depois do fim No dia em que encerrei a exposição, havia mais restos do que obras. Pedaços de papel no chão, poeira de giz nos cantos, silêncios pendurados nas paredes. Tudo como eu queria. Houve quem perguntasse se eu tinha me arrependido. Houve quem olhasse com pena. Mas não era destruição. Era ciclo. O corte não anula. Ele revela. Revela o que é frágil, o que é efêmero, o que é verdadeiro. Talvez a arte não seja um quadro bonito na parede. Talvez seja o que nos atravessa — e que a gente precisa, com urgência, rasgar. E no final, entre ruína e sopro, ficou um livro. Este livro. Com palavras coladas nos pedaços que resistiram. Com as marcas visíveis da impermanência. (jamais será lançado)

Antes do corte

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  Antes do corte Não me lembro do dia exato em que comecei a fazer frottages. Talvez tenha sido uma fuga, talvez um chamado. Só sei que havia uma necessidade — de escutar o mundo com as mãos. Passei a carregar papel e giz como quem carrega um relicário. E fui imprimindo o que a cidade calava: rachaduras de muros, inscrições corroídas, restos de ruas, fragmentos de pedra, plástico, ferrugem. A superfície do mundo tornou-se matriz e memória. Com o tempo, percebi que não bastava capturar o rastro. Era preciso deixá-lo ir. Ou melhor: cortá-lo. Comecei a picotar os papéis. Não por raiva ou desprezo, mas como quem oferece algo ao silêncio. Como quem entende que tudo o que foi um dia, precisa deixar de ser para fazer sentido de novo. Cortar tornou-se rito. Um gesto radical de fé, dúvida, política e poesia. Essas crônicas nasceram entre esses cortes. São tentativas de traduzir o que restou — entre um rasgo e outro. Porque às vezes, o que permanece, não é a imagem. É o vazio que ela deixou....

Curiosidades e fatos (Em 3ª pessoa para ficar diferente) Parte 1.

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  Foto: Patrícia Bernardo. Curiosidades e fatos (Em 3ª pessoa para ficar diferente) Parte 1.  1.  Olegário fez três estudos com desenhos utilizando objetos retirados da orla da praia, especificamente pastilhas de porcelana, para seu projeto. 2. Olegário tem uma coleção de óculos, chapéus, boinas e outros adereços, permitindo combinações ou desarmonias visuais. Seu cenário incluirá uma estante cheia de objetos coletados, alguns comprados em um bazar beneficente. Ele considera criar colares, pulseiras, coroas e personalizar chapéus colando objetos neles. 3. Olegário quer desenvolver um roteiro e um projeto artístico que critiquem o consumismo, explorando características de movimentos artísticos que se opunham a ele. Sua abordagem será hipócrita, tendenciosa, anárquica e sincera, culminando em um fim apoteótico ou apocalíptico. Ele considera metáforas como a sociedade sucumbindo, engasgada ou afogada em suas próprias emoções, inspirando-se na cena de Zé das Medalhas em '...

IA - Ambiente Melancólico, presente e futuro

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