"Quando o teto compareceu"
"Quando o teto compareceu" - relato-manifesto de um encerramento quase silêncio - Não foi um fim. Foi uma pausa no corte, um fio suspenso na lâmina que hesita. As paredes estavam lá. O teto também. O chão — cúmplice. Não como cenário, mas como corpo que assiste. Eu não destruí tudo. E essa escolha foi o gesto mais violento. Porque havia dentro de mim uma vontade de ruína total — mas ofereci um desvio. Um quase. Uma fresta. O celular registrou. Mas não tudo. O tudo não cabe em pixels. Nem o grito abafado da tesoura, nem o eco do que não cortei. Meus frottages resistiram. Alguns. Outros se dissolveram como promessa cumprida. Era o fim de um ciclo? Talvez. Ou talvez fosse o chão dizendo: “Continue”. E o teto sussurrando: “Agora para cima”.