Postagens

Mostrando postagens de junho, 2025

Cadência dos Fragmentos

Imagem
Meu nome é Olegário, e venho há anos trilhando uma jornada artística e existencial marcada pela observação profunda do efêmero, do ruído e do invisível. Meu trabalho transita entre técnicas como frottage, pintura, assemblagem e instalação, com uma escuta atenta aos ecos do tempo e das ruas. Cada pedaço de cerâmica, cada caco de vidro ou fragmento de construção que recolho se transforma, não apenas em material, mas em memória, discurso e resistência. Criei a exposição Impermanência(s) como resposta poética a um tempo que se desfaz diante dos nossos olhos. Os frottages que a compõem são não apenas registros físicos de superfícies, mas vestígios de um mundo em erosão — espiritual, político e ambiental. A série surgiu entre deslocamentos, silenciosas orações urbanas e caminhadas que se tornaram atos performáticos. A exposição abriu-se com o conceito de “eco”: fragmentos visuais, sonoros e textuais que ressoam em quem passa por eles. Parte dessa proposta envolveu QR codes com trilhas sonora...

E movimento, para mim, é a única forma honesta de existir.

Imagem
Cadência  Nada em mim é estático. Nenhuma obra nasce pronta ou pura. O que apresento — ou o que deixo escapar — vem de um corpo em movimento. É por isso que nomeei esta série como Cadência. Não no sentido exato da música, mas no modo como o som se dissolve no ar e permanece vibrando em quem escuta. É um ritmo interno, um andar irregular entre criação e ruína. Nas religiões que me atravessam — especialmente nas matrizes africanas — cada movimento, cada cor, cada gesto tem peso, história, significação. Meus mantos não são apenas objetos visuais: são vestígios de um ritual particular. Os tecidos plastificados, os cacos colados com cola e tinta, os brinquedos recolhidos nas ruas, os retalhos que carregam histórias que não são mais contadas. Tudo isso se une em uma dança silenciosa. Cadenciam o tempo, cadenciam a matéria. A espiritualidade que percorre essas peças não é a do sagrado imaculado, mas a do chão, do uso, do suor e da reincorporação. Na política, vivemos num frenesi sem fim, ...

Microcrônica – Fé de Algodão Cru

Imagem
Microcrônica – Fé de Algodão Cru Acendi uma vela de verdade hoje. Com fósforo, chama e intenção. Talvez por teimosia, talvez por saudade de quando a fé tinha peso e cheiro. Nos últimos anos, vi gente rezando por aplicativos, fazendo promessas com emojis, vestindo filtros em vez de mantos. Mas meu altar ainda é feito de cacos. De algodão cru, de pedaços de brinquedo quebrado e oração muda. Cada ponto de cola é um rito. Cada respingo de tinta, uma oferenda. Meus santos não brilham — enferrujam. E mesmo assim, talvez por isso, são mais sagrados. A fé, no meu ateliê, ainda se faz com as mãos. E se rasga.  

Quando pensamos em cadência

Imagem
Quando pensamos em cadência, é comum que o pensamento nos leve à música, à dança ou à poesia. Mas e nas artes plásticas? Existe ritmo em uma pintura? Uma escultura pode ter compasso? A resposta é sim — e talvez seja justamente esse ritmo silencioso que nos faz permanecer diante de uma obra por mais tempo do que imaginávamos. A cadência, nas artes visuais, não é feita de sons, mas de repetições, pausas, contrastes e fluxos visuais. É o modo como o olhar do espectador é conduzido pela composição, como se cada elemento fosse uma nota em uma partitura silenciosa. Um traço que se repete, uma cor que retorna, um vazio que respira — tudo isso compõe uma coreografia visual. Na prática contemporânea, a cadência também pode surgir do uso de materiais encontrados, como fragmentos de vidro, madeira ou metal. O gesto de coletar, selecionar e compor esses elementos cria uma narrativa rítmica — uma espécie de arqueologia poética do cotidiano. Cada objeto carrega sua própria história, mas é na repetiç...

Gaio Monteiro: o artista que escuta os objetos esquecidos

Imagem
  Gaio Monteiro: o artista que escuta os objetos esquecidos Por Irineu A | Revista Anamorfose Na contramão do excesso e da pressa, Gaio Monteiro caminha devagar pelas margens do mundo. Seu chapéu, ornado com uma pequena representação de Jesus na manjedoura — peça resgatada do lixo — não é apenas um adorno excêntrico: é um manifesto silencioso. Um gesto de escuta. Um altar portátil àquilo que foi descartado. Gaio, ou Olegário Monteiro, é artista plástico, performer, educador e poeta visual. Sua obra transita entre o sagrado e o banal, entre o lixo e o relicário. Ele não cria a partir do nada — ele recolhe, ressignifica, devolve ao mundo o que o mundo tentou esquecer. Fragmentos de vidro, pedaços de madeira, objetos quebrados ou desbotados: tudo pode ser matéria-prima para sua arqueologia sensível do cotidiano. Em exposições como Impermanências, Gaio transforma frottages, resíduos e texturas urbanas em cartografias do tempo. Já em Fragmentos, ele mergulha no caos como linguagem, equi...

Cadência

Imagem
  Entre Mantos e Máquinas: A Construção da Fé na Era do Virtual A primeira série de mantos que produzi nasceu em 2013, no calor de uma exposição coletiva chamada  O Sagrado e o Contemporâneo , realizada pelo coletivo Garage. Naquele momento, eu ainda tateava os limites entre arte e espiritualidade, entre gesto e devoção. Não se tratava de ilustrar o sagrado, mas de  vesti-lo , de me aproximar dele pelas bordas, pelas texturas, pelas sobras que o mundo urbano deixava pelo caminho. Os mantos eram feitos de tecidos simples, adornados com objetos comuns — mas carregavam uma força que nem eu sabia nomear. Desde então, não parei de estudar. Me aproximei de algumas poucas religiões, mergulhei em filosofias diversas, não exatamente para me converter, mas para observar. Passei a olhar para as pessoas como quem observa um altar em movimento. Entendi que a fé não está necessariamente nos templos — está nos gestos, nas manias, nos improvisos cotidianos. Li artigos, revistas e livros;...

Série: Steampunk

Imagem
  Série Steampunk feita com I.A. hailuoai -  Hailuo Video aproveita tecnologia avançada de IA para gerar vídeos de alta qualidade a partir de descrições de texto ou imagens . Experimente o futuro da criação de vídeo com Hailuo Video.