O deslocamento pelas ruas
Monteiro constrói, em Terras Abstratas, uma poética que não se acomoda — ela pulsa, colide e se reorganiza a partir de um repertório tão amplo quanto indisciplinado. Há, em sua produção, a tensão entre o rigor estrutural e o desvio expressivo, algo que ecoa tanto a crueza fragmentária de Ricardo Ramos em Circuito Fechado quanto a violência coreografada de Quentin Tarantino, onde cada elemento parece calculado, mas nunca estéril. Sua obra se constrói nesse limiar: entre o controle e o acidente. Na pintura, Olegário reivindica a energia do gesto. A herança de Jackson Pollock não aparece como citação superficial, mas como método incorporado — o corpo como extensão direta da matéria. O drip não é apenas técnica, é inscrição física do tempo. Cada camada, cada escorrimento, carrega uma temporalidade própria, quase como se o suporte fosse um campo de registro sísmico das suas ações. Há também um eco distante de Salvador Dalí, não na forma, mas na licença de tensionar o real até o limite da di...