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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Terras Abstratas - Em breve

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  Terras Abstratas Entre o gesto e o silêncio da terra, a obra se forma como quem recolhe o que resta e o que renasce. Olegário Monteiro investiga a natureza em estado de transformação — cor, textura, umidade, sons, odores, decomposição, brotação — e converte esses ritmos em linguagem plástica. As telas, assemblagens e fragmentos que compõem Terras Abstratas emergem de uma ecologia íntima: o diálogo entre o que se desfaz e o que resiste. Cada superfície é testemunho de um tempo em decomposição, de uma matéria que se reorganiza como organismo autônomo. Há, no gesto do artista, uma herança da arte moderna — o impulso de abstrair o mundo para reencontrá-lo. Mas, aqui, o automatismo é também vegetal, mineral, atmosférico. As formas não apenas representam a terra: respiram com ela. Nesse território em suspensão, o olhar se torna tátil. As cores condensam a umidade do ar, os vestígios de folhas, o pólen invisível, o som das águas subterrâneas. Em Terras Abstratas , a pintura deixa d...

Espelho da mente

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  Essa terceira obra expande o campo simbólico dos desenhos anteriores — não mais o corpo em desintegração, mas o mundo que o cerca tomado pela mesma perturbação interior. O cenário, aparentemente idílico, é contaminado por sinais de desordem: o céu rasgado por tentáculos azul e vermelho, a paisagem fraturada em mosaicos de verdes e terrosos, e o código Morse disfarçado no sol como grito mudo. A natureza, aqui, já não é refúgio, mas espelho da mente. Tecnicamente, nota-se um amadurecimento no uso do contraste entre estabilidade e caos. A casa, com suas linhas retas e telhado vermelho, representa o centro racional — o ego tentando permanecer íntegro. Ao redor, tudo se fragmenta em campos de cor vibrante, em pinceladas e traços que giram e se entrelaçam, formando um solo quase vivo. O preto delimitando as formas funciona como contenção simbólica: linhas que tentam segurar o colapso, como costuras num tecido em rasgo. A cena pode ser lida como uma paisagem psíquica — uma psychoscape, ...

“eu”

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  Esta segunda obra leva a experiência anterior a um ponto de maior densidade psicológica. A figura — agora isolada e mais frontal — parece tomada por uma espécie de convulsão interior. O rosto fragmentado, quase dissolvido em manchas de cor e linhas cruzadas, dá forma a um estado mental em colapso, um “eu” contaminado por forças que o atravessam. Tecnicamente, o uso das canetas hidrográficas cria um contraste agressivo entre áreas planas e traços energéticos, enquanto a ausência de colagem enfatiza o gesto direto e confessional. O desenho é construído por sobreposição de planos cromáticos e padrões — espirais, zigue-zagues, preenchimentos vibrantes — que lembram o automatismo psíquico do surrealismo. Há ecos do expressionismo alemão (como em Ernst Ludwig Kirchner e Emil Nolde), do universo de Jean Dubuffet e do Art Brut — especialmente nas figuras que parecem expressar estados mentais limítrofes. As cores — densas e discordantes — não seguem uma lógica de harmonia, mas de pertur...

obsessores

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A obra apresenta uma figura central envolta em um emaranhado de cores e linhas que evocam movimento, fluxo e tensão. A técnica mista — uso de canetas hidrográficas e colagem — reforça esse contraste entre o controle e o acaso. O gesto das linhas, soltas e sobrepostas, sugere interferências, presenças e forças que orbitam o corpo, sem defini-lo totalmente. Há algo de fragmentário e caótico, como se o espaço ao redor fosse um campo de energia espiritual ou psíquica em constante agitação. A figura humana parece em suspensão, talvez caminhando, talvez sendo atravessada por correntes invisíveis. O olhar, parcialmente encoberto, reforça o mistério e o caráter interior do tema: não se trata de uma cena exterior, mas de uma travessia interna. A sobreposição de cores — entre quentes e frias — cria uma sensação de conflito vibrante, enquanto os espirais e linhas curvas parecem simbolizar pensamento, tormento ou atração. Mesmo sem dizer explicitamente “obsessores”, o trabalho lida com a ideia de ...