"Quando o teto compareceu"

 






"Quando o teto compareceu"

- relato-manifesto de um encerramento quase silêncio -


Não foi um fim.

Foi uma pausa no corte,

um fio suspenso na lâmina que hesita.


As paredes estavam lá.

O teto também. O chão — cúmplice.

Não como cenário,

mas como corpo que assiste.


Eu não destruí tudo.

E essa escolha foi o gesto mais violento.


Porque havia dentro de mim

uma vontade de ruína total —

mas ofereci um desvio.

Um quase.

Uma fresta.


O celular registrou.

Mas não tudo.

O tudo não cabe em pixels.

Nem o grito abafado da tesoura,

nem o eco do que não cortei.


Meus frottages resistiram.

Alguns.

Outros se dissolveram como promessa cumprida.


Era o fim de um ciclo?

Talvez.

Ou talvez fosse o chão dizendo:

“Continue”.

E o teto sussurrando:

“Agora para cima”.

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