“O cavalo verde atravessa a pintura como um fantasma deslocado.”
“O cavalo verde atravessa a pintura como um fantasma deslocado.”
Num mundo onde tudo parece dividido em quadros, limites, cercas e campos, ele segue — impassível, mas presente. Não pertence à paisagem, e talvez por isso mesmo a transforme. É o resquício de um tempo onde a terra não era lote, o céu não era mercado, e a fé não se dobrava às conveniências. Aqui, nesse território entre o brinquedo e o sagrado, o cavalo não galopa: ele resiste.
O silo é torre. A casa é abrigo. O horizonte se curva como véu ritual, e as montanhas parecem carregar as marcas de uma escrita esquecida. Talvez Deus tenha descansado ali. Ou talvez tenha sido expulso quando o homem aprendeu a desenhar cercas com régua.

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