Depois do fim
Depois do fim
No dia em que encerrei a exposição, havia mais restos do que obras. Pedaços de papel no chão, poeira de giz nos cantos, silêncios pendurados nas paredes. Tudo como eu queria. Houve quem perguntasse se eu tinha me arrependido.
Houve quem olhasse com pena. Mas não era destruição. Era ciclo. O corte não anula. Ele revela. Revela o que é frágil, o que é efêmero, o que é verdadeiro. Talvez a arte não seja um quadro bonito na parede. Talvez seja o que nos atravessa — e que a gente precisa, com urgência, rasgar.
E no final, entre ruína e sopro, ficou um livro. Este livro. Com palavras coladas nos pedaços que resistiram. Com as marcas visíveis da impermanência. (jamais será lançado)








Comentários
Postar um comentário