Obras como O Nome da Rosa, de Umberto Eco, ou O Processo, de Franz Kafka, exploram a religião e o sistema jurídico como mecanismos de controle, onde a fé e a lei se misturam com o medo e a paranoia. Kafka, em particular, nos coloca frente a um sistema opressor, no qual o indivíduo perde sua identidade e sua liberdade, prisioneiro de forças invisíveis e incompreensíveis, que podem ser interpretadas como uma alegoria tanto para a religião quanto para o poder do Estado.
Jardim das Águas e das Memórias
Jardim das Águas e das Memórias Quando fui convidado para a exposição Interpretações Santistas , pensei imediatamente na cidade como um corpo vivo — uma entidade moldada pela natureza e pela fé. Santos, com seu jardim da orla, o maior jardim frontal de praia do mundo, sempre me pareceu um altar estendido diante do mar. Um espaço de celebração e entrega, de beleza e trabalho. Por isso, decidi criar uma assemblagem que unisse o sagrado e o cotidiano, a devoção e o descarte. No centro da obra está Iemanjá, mãe das águas e das travessias. Em volta dela, flores artificiais — símbolo de uma natureza construída, preservada e também manipulada pelo homem — se misturam a tampinhas de refrigerante, rolhas de vinho e fragmentos de consumo urbano. Esses elementos, colhidos pelas ruas e pela praia, pertencem ao mesmo território que a obra homenageia. São resíduos de uma Santos real, múltipla, viva e contraditória. O gesto de respingar tinta azul sobre as flores e os objetos — um diálogo com a pi...

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