Personagens como Robocop e o Exterminador do Futuro questionam até que ponto a humanidade pode ser controlada ou transformada pela tecnologia. No altar contemporâneo, onde essas figuras convivem com santos e divindades, temos a representação de uma nova forma de fé: uma crença no poder da tecnologia e na capacidade da inteligência artificial de nos salvar ou destruir. A obsessão por controle e perfeição tecnológica, por sua vez, ecoa as velhas obsessões religiosas de salvação e juízo final.
Jardim das Águas e das Memórias
Jardim das Águas e das Memórias Quando fui convidado para a exposição Interpretações Santistas , pensei imediatamente na cidade como um corpo vivo — uma entidade moldada pela natureza e pela fé. Santos, com seu jardim da orla, o maior jardim frontal de praia do mundo, sempre me pareceu um altar estendido diante do mar. Um espaço de celebração e entrega, de beleza e trabalho. Por isso, decidi criar uma assemblagem que unisse o sagrado e o cotidiano, a devoção e o descarte. No centro da obra está Iemanjá, mãe das águas e das travessias. Em volta dela, flores artificiais — símbolo de uma natureza construída, preservada e também manipulada pelo homem — se misturam a tampinhas de refrigerante, rolhas de vinho e fragmentos de consumo urbano. Esses elementos, colhidos pelas ruas e pela praia, pertencem ao mesmo território que a obra homenageia. São resíduos de uma Santos real, múltipla, viva e contraditória. O gesto de respingar tinta azul sobre as flores e os objetos — um diálogo com a pi...

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