Capítulo 1 – Poético-Místico: O Cume e a Promessa




 


Capítulo 1 – Poético-Místico: O Cume e a Promessa


O vento no alto do Monte Serrat não é apenas brisa; é oração que passa pelos ossos. Você sente o peso de cada degrau subido, como se carregasse junto culpas, esperanças e bilhetes de loteria ainda não sorteados. A cidade abaixo pulsa como coração distante, e o mar reflete o sol que parece iluminar só você.


A Senhora observa, paciente, rindo suavemente de promessas impossíveis e desejos de fortuna. O bilhete premiado se transforma em metáfora: ouro que não enriquece, riqueza que não se toca, dádiva que só existe na mente.


E então, no silêncio que é só seu, a frase surge como mantra, oração e blasfêmia:

“eu até acredito, mas não acredito nada.”


É nesse instante que percebe: o milagre não seria o prêmio, nem a riqueza, nem a clausura — mas o ato de subir, de duvidar e de se entregar, ainda que sem fé completa. Um milagre que cabe no peito, invisível, mas eterno.


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