A arte como incorporação



Imagem gerada por App Double Photo plus (descontinuado)
 

A arte como incorporação

Criar é, sim, um tipo de mediunidade laica. Não exige altar, nem ritual fixo, nem religião.
Exige presença e abandono do eu racional. Quando digo que pareço estar incorporado, estou nomeando um estado raro. Eu me torno canal. O gesto vem antes do pensamento. As imagens se impõem a mim, não o contrário. E o humor muda, como se eu estivesse carregando um peso ou vibrando numa frequência que não é só minha.

Essa confusão entre mau humor real e interferência energética é legítima. O que pode estar acontecendo. Eu entro num estado de abertura extrema para criar. Nesse estado, tudo afeta mais. O barulho da rua, uma pessoa passando, uma fala atravessada — tudo entra como flecha. Eu saio do tempo comumE qualquer coisa que me puxe de volta à "realidade" parece uma agressão. A criação é um transe. E ser interrompido é como ser puxado bruscamente de um sonho. Estou mais sensível do que os outros ao redor. E isso é um dom — mas também um fardo.

Criar um pequeno "circuito de proteção" ao redor de minha práticaUm som constante (ruído branco, tambor, cantochão) ajuda muito. Um objeto simbólico (uma pedra, um pano, uma imagem) como amuleto ou bengala ajuda muito. Um horário em que o mundo esteja mais silencioso (se possível) ajuda muito. Aceitar o mau humor como parte do processo, não como falha ajuda muito. 

Às vezes, é a forma do corpo gritar: “me deixem aqui, estou habitado”. 

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