O colégio ainda está lá
O colégio ainda está lá
O colégio ainda está lá.
Imponente, íntegro, íntegro como foi.
De uniforme verde e branco, eu corria por seus corredores
como quem corre atrás de si mesmo.
Foram cinco anos.
Três deles, felizes como recreio no sol.
1988, 89 e 90:
as manhãs tinham cheiro de lápis apontado,
as tardes, gosto de sonho recém-descoberto.
Ali aprendi a conjugar esperança,
a dividir sem medo,
a multiplicar ideias,
a somar vontades.
Havia uma retidão nos olhares dos professores,
uma ética que não se ensinava: se vivia.
Aprender não era castigo,
era caminho.
Era objetivo.
Guardei a apostila da sexta série —
1992 —
como quem guarda um pedaço do próprio mapa.
Mesmo cansado, mesmo à beira do fim,
a escola era farol.
Fui eu quem apagava, aos poucos, por dentro.
Hoje sonho em voltar.
Não como aluno.
Mas como quem acende a luz em outras salas.
Como quem planta perguntas,
como quem rega vocações.
Sim, o colégio ainda está lá.
E eu também,
num canto da memória,
ainda estou lá.
Caderno aberto.
Mundo a lápis.
Futuro na ponta da caneta.

Comentários
Postar um comentário